Um banner fotográfico profissional e realista de artigo de blog sobre Segurança e Saúde do Trabalho (SST) no Rio de Janeiro. Três especialistas em SST discutem um grande pôster de um Mapa de Riscos Ocupacionais em um escritório com vista para o Pão de Açúcar e Cristo Redentor. O homem em um colete SST verde aponta para o mapa, enquanto uma mulher segura uma prancheta com o título "PGR - PROGRAMA DE GERENCIAMENTO DE RISCOS". O texto principal no banner de fundo diz: "MAPA DE RISCOS: O QUE É, COMO FAZER, QUEM É RESPONSÁVEL E QUAL A RELAÇÃO COM O PGR".

Mapa de riscos: o que é, como fazer, quem é responsável e qual a relação com o PGR

A conscientização dos trabalhadores sobre os perigos presentes no ambiente de trabalho é um dos pilares mais antigos e eficientes da Segurança e Saúde no Trabalho (SST). Entre todas as ferramentas de prevenção, o mapa de riscos de trabalho destaca-se como o recurso visual mais dinâmico e acessível: uma representação gráfica sobre a planta baixa da empresa que identifica, por meio de cores e círculos de diferentes tamanhos, os agentes agressivos capazes de causar acidentes ou doenças ocupacionais em cada setor.

Com as recentes atualizações da NR-5 (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e Assédio – CIPA) e da NR-1 (Gerenciamento de Riscos Ocupacionais – GRO / PGR), surgiram dúvidas frequentes entre gestores e profissionais de RH: o mapa de riscos ainda é obrigatório? Quem deve elaborá-lo? Como ele se conecta com o Inventário de Riscos do PGR e com os eventos de SST do eSocial?

Este artigo apresenta um guia completo sobre o mapa de riscos de trabalho: sua definição legal, a tabela oficial de cores e tamanhos de círculos, o papel da CIPA, o passo a passo prático para elaboração e como integrá-lo com sucesso ao PGR e ao PCMSO.

O que é o mapa de riscos de trabalho e qual sua finalidade?

O mapa de riscos de trabalho é uma representação gráfica simplificada que mapeia os pontos de risco nos diversos locais de trabalho da organização. Ele é construído sobre o desenho do layout (planta baixa) de cada setor, utilizando símbolos gráficos (círculos coloridos) para indicar a presença, a tipologia e a gravidade dos riscos identificados.

Diferentemente de laudos técnicos complexos mantidos em pastas administrativas, o mapa de riscos é uma ferramenta de gestão participativa e de comunicação visual direta. Ele deve ficar afixado em local visível em cada setor mapeado, permitindo que qualquer colaborador, visitante ou fiscal identifique instantaneamente os perigos aos quais estaria exposto naquela área.

Os principais objetivos do mapa de riscos:

  • Conscientização coletiva: Informar visualmente os trabalhadores sobre os riscos ambientais e operacionais do seu posto de trabalho.
  • Estímulo à prevenção: Incentivar o uso correto de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e o respeito às barreiras de Proteção Coletiva (EPC).
  • Diagnóstico participativo: Dar voz aos trabalhadores para que relatem percepções reais de perigo que muitas vezes passam despercebidas em inspeções formais.
  • Redução de acidentes: Subsidiar a CIPA e a direção da empresa na priorização de medidas corretivas.

O mapa de riscos é obrigatório pela NR-5? Entenda a legislação

A obrigatoriedade de identificar os perigos no ambiente de trabalho com a participação dos empregados está respaldada pela NR-5. No entanto, a modernização da norma trouxe um detalhe técnico importante que muitos profissionais desconhecem.

Historicamente, a Portaria DNSST nº 25/1994 estabeleceu a obrigatoriedade do formato tradicional de “círculos coloridos sobre a planta baixa”. Com as atualizações da NR-5 (item 5.5.1, alínea “a”), o texto normativo passou a prever que cabe à CIPA:

“Ouvir os trabalhadores quanto às condições de trabalho e elaborar mapa de riscos ou outra técnica ou ferramenta apropriada para a identificação dos perigos, com a assessoria do SESMT, onde houver, e da organização.”

O que isso significa na prática?

A identificação participativa de perigos continua sendo obrigatória para todas as empresas que possuem CIPA constituída ou Designado de CIPA (conforme o enquadramento do Anexo I da NR-5).

O formato tradicional do mapa de riscos gráfico (com círculos e cores) continua sendo a ferramenta mais aceita, recomendada e utilizada no Brasil devido à sua alta eficiência de comunicação visual. No entanto, a CIPA tem a liberdade técnica de adotar outras metodologias equivalentes (como matrizes de percepção ou planilhas de perigos), desde que ouça ativamente os colaboradores.

Quem é o responsável pela elaboração do mapa de riscos?

A elaboração do mapa de riscos é uma atribuição legal dos membros da CIPA, atuando em conjunto com os trabalhadores de cada setor e contando com a assessoria técnica do SESMT (Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho) ou de uma consultoria especializada em SST contratada pela empresa.

Divisão de Responsabilidades:

  • Membros da CIPA (Cipeiros): Conduzem as entrevistas, aplicam os questionários com os colegas de equipe, analisam o ambiente e desenham o mapa de riscos.
  • Trabalhadores do Setor: Fornecem informações reais sobre a rotina de trabalho, desconfortos, queixas de saúde e situações de quase-acidente.
  • SESMT / Consultoria de SST: Presta assessoria técnica, orientando os cipeiros sobre a correta classificação dos agentes (físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e acidentes) e fornecendo dados de medições quantitativas quando disponíveis.
  • Direção da Empresa: Garante os recursos necessários, valida a afixação dos mapas nos setores e compromete-se com o plano de ação para neutralização dos riscos identificados.

Se a empresa for dispensada de constituir a comissão completa e possuir apenas o Designado de CIPA, caberá a este funcionário indicado, com o apoio do SESMT ou da consultoria, conduzir o processo de mapeamento participativo.

A tabela de cores do mapa de riscos e seus significados

A padronização visual do mapa de riscos baseia-se em 5 cores oficiais, cada uma representando uma classe específica de risco ocupacional. Conhecer essa codificação é essencial para o correto preenchimento e interpretação da ferramenta:

1. Verde: Riscos Físicos

Representa os agentes físicos que exigem massa ou energia para se propagarem no ambiente.

  • Exemplos: Ruído ocupacional, vibrações (mãos/braços e corpo inteiro), calor extremo, frio, radiações ionizantes (raios X) e não ionizantes (UV/solda), pressões anormais e umidade.

2. Vermelho: Riscos Químicos

Representa substâncias, compostos ou produtos químicos em diferentes estados físicos que possam penetrar no organismo.

  • Exemplos: Poeiras minerais ou vegetais, fumos metálicos, névoas, neblinas, gases industriais, vapores de solventes e produtos químicos líquidos.

3. Marrom: Riscos Biológicos

Representa microorganismos e seres vivos capazes de provocar infecções, alergias ou contaminações.

  • Exemplos: Bactérias, vírus, fungos, bacilos, parasitas, protozoários, sangue, fluidos corporais e vetores (insetos/roedores). Comum em serviços de saúde, laboratórios, saneamento e coleta de resíduos.

4. Amarelo: Riscos Ergonômicos

Representa fatores do trabalho que interferem nas características psicofisiológicas do trabalhador, gerando desconforto ou agravos à saúde.

  • Exemplos: Esforço físico intenso, levantamento e transporte manual de peso, postura inadequada ou viciosa, controle rígido de produtividade, ritmo ostensivo, trabalho noturno, jornadas prolongadas e imposição de estresse.

5. Azul: Riscos de Acidentes (ou Riscos Mecânicos)

Representa situações físicas ou operacionais inadequadas capazes de afetar a integridade física do trabalhador de forma súbita.

  • Exemplos: Arranjo físico inadequado, máquinas e equipamentos sem proteção (NR-12), ferramentas defeituosas ou improvisadas, iluminação deficiente, risco de incêndio ou explosão, eletricidade desprotegida, trabalho em altura (NR-35) e animais peçonhentos.

O significado dos tamanhos dos círculos no mapa de riscos

Além da cor (que indica o tipo de risco), o mapa de riscos utiliza o diâmetro dos círculos para indicar o nível de gravidade ou intensidade percebida daquele agente no ambiente:

Círculo Pequeno (Ø 2 cm)

Risco presente, mas com pequena intensidade, pouca concentração ou controle eficaz já implementado.

Círculo Médio (Ø 4 cm)

Risco com intensidade intermediária; exige atenção constante e monitoramento do uso de EPIs/EPCs.

Círculo Grande (Ø 6 cm)

Risco grave com alta intensidade ou grande potencial de causar acidentes/doenças severas. Exige intervenção prioritária.

Círculos Divididos (Riscos Simultâneos)

Quando em um mesmo local do setor houver a presença de mais de um tipo de risco com o mesmo nível de gravidade, utiliza-se um único círculo dividido em fatias coloridas correspondentes a cada agente (por exemplo, um círculo grande metade Verde e metade Amarelo representa risco físico e ergonômico elevados no mesmo posto).

Passo a passo de como fazer o mapa de riscos na prática

Para elaborar um mapa de riscos tecnicamente correto e de alto impacto preventivo, a CIPA e a empresa devem seguir estas 6 etapas estruturadas:

Passo 1: Obtenção do Layout do Setor

Consiga o desenho da planta baixa do setor. Não é necessário um desenho arquitetônico complexo: um croquis bem desenhado e proporcional contendo as divisões de salas, máquinas, bancadas, acessos e corredores é perfeitamente válido.

Passo 2: Oportunizar a Participação dos Trabalhadores

A CIPA deve conversar com os colaboradores de cada turno. Aplique entrevistas rápidas perguntando: quais ferramentas incomodam? Onde há barulho excessivo? Quais tarefas geram dores nas costas? Quais situações de quase-acidente já ocorreram aqui?

Passo 3: Inspeção no Local de Trabalho

Percorra o ambiente observando a rotina operacional. Verifique o estado das máquinas, instalações elétricas, organização, ventilação, iluminação, manuseio de produtos químicos e posturas de trabalho.

Passo 4: Classificação e Dimensionamento

Com os dados coletados, liste os perigos por setor e defina para cada um: a cor correspondente (tipo de risco) e o tamanho do círculo (pequeno, médio ou grande).

Passo 5: Confecção do Mapa de Riscos

Desenhe os círculos coloridos sobre as respectivas áreas da planta baixa. Inclua obrigatoriamente uma legenda explicativa contendo:

  • O significado das cores e dos tamanhos dos círculos.
  • O número de trabalhadores expostos no setor.
  • A especificação sucinta dos agentes (ex.: dentro do círculo verde grande, escrever “Ruído da prensa”).
  • A identificação dos responsáveis pela elaboração (Membros da CIPA e gestão) e a data de realização.

Passo 6: Divulgação e Integração com as Ações de SST

Afixe o mapa de riscos em local de fácil visualização (próximo à entrada do setor ou quadro de avisos). Apresente os resultados na reunião da CIPA e encaminhe as demandas prioritárias para a gestão de segurança da empresa.

A relação entre o Mapa de Riscos (NR-5) e o PGR (NR-1)

Existe uma sinergia técnica fundamental entre o Mapa de Riscos e o PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos). Embora ambos lidem com a identificação de perigos, suas naturezas e abordagens são complementares:

O Mapa de Riscos (NR-5) traz a visão qualitativa e perceptiva do trabalhador. Ele reflete a vivência prática do chão de fábrica ou do escritório.

O PGR (NR-1) é o sistema de gestão técnica oficial. Ele exige a matriz de risco profissional, medições quantitativas (conforme as metodologias da NR-9/NHOs) e plano de ação estruturado com orçamento e cronograma.

A Integração Perfeita: Os perigos apontados pelos trabalhadores no Mapa de Riscos da CIPA devem servir de input para a equipe de SST atualizar o Inventário de Riscos do PGR. Por outro lado, os dados técnicos e medições do PGR devem orientar a CIPA na elaboração de um mapa de riscos mais preciso.

Conexão com o PCMSO (NR-7) e o eSocial (S-2220 e S-2240)

O rastreamento de perigos originado no chão de fábrica deságua em toda a cadeia de conformidade da empresa:

Interface com o PCMSO (NR-7): Se o Mapa de Riscos e o PGR apontam exposição a agentes químicos ou ruído elevado, o Médico Responsável pelo PCMSO incluirá exames complementares (audiometrias, exames laboratoriais) no programa de monitoramento da saúde.

Impacto no eSocial: Os dados consolidados do PGR e dos laudos ambientais alimentam a transmissão do evento S-2240 (Agentes Nocivos), enquanto as consultas e exames decorrentes alimentam o evento S-2220 (Monitoramento da Saúde). O mapa de riscos atua como a primeira linha de checagem da realidade operacional que sustentará esses dados fiscais.

Checklist: Como manter o mapa de riscos da sua empresa atualizado

Garanta a conformidade da sua organização seguindo este roteiro de checagem:

  1. Verifique a vigência: O mapa de riscos deve ser reavaliado a cada gestão da CIPA (anualmente) ou sempre que houver modificações significativas no layout, inclusão de novas máquinas ou alteração de processos produtivos.
  2. Confira a visibilidade: O mapa está afixado em local limpo, iluminado e visível para todos os trabalhadores do setor?
  3. Valide a legenda: A legenda do mapa contém o significado das cores, tamanhos dos círculos, número de expostos e a data da elaboração?
  4. Sincronize com o PGR: As situações de risco grave apontadas no mapa de riscos foram encaminhadas para avaliação e inclusão no plano de ação do PGR?
  5. Capacite a CIPA: Os membros da comissão receberam o treinamento obrigatório da NR-5 contendo o módulo sobre metodologias de identificação de riscos?

Como a MBS Ocupacional pode apoiar sua empresa

Estruturar uma CIPA atuante e manter ferramentas como o mapa de riscos perfeitamente integradas ao PGR e ao PCMSO exige conhecimento técnico e suporte consultivo eficiente.

A MBS Ocupacional oferece soluções completas de Segurança e Medicina do Trabalho: prestamos suporte na formação e treinamento da CIPA (NR-5), elaboramos o PGR, implementamos o PCMSO, realizamos medições ambientais de higiene ocupacional e oferecemos consultoria em segurança do trabalho no Rio de Janeiro.

Sua empresa precisa de auxílio para adequar a CIPA, elaborar o mapa de riscos ou sincronizar o inventário de perigos com o PGR? Entre em contato com os especialistas da MBS Ocupacional e agende uma conversa com nossa equipe técnica.

Sobre o autor

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Matheus Sales

Com mais de 6 anos de experiência em Segurança e Saúde Ocupacional, é sócio administrativo e líder estratégico da MBS Ocupacional, atuando diretamente na gestão, crescimento e posicionamento da empresa. Com base sólida como Técnico de Segurança do Trabalho e especialização na plataforma SOC, lidera a estruturação de processos, operações e estratégias comerciais, garantindo eficiência e conformidade com o eSocial (SST). À frente do negócio, coordena uma rede qualificada de especialistas, entregando soluções completas com alto padrão de qualidade, foco em resultados e proximidade com o cliente.

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